segunda-feira, 15 de maio de 2017

Voltando. Talvez. Espero.


A exatamente muito tempo atrás eu meio que comecei esse blog para escrever coisas. Escrevi exatamente duas coisas e abandonei a coisa toda, parte por falta de tempo, parte por preguiça, parte porque eu não conseguia, de jeito nenhum lembrar o endereço disso aqui.
Tempo passou, muita coisa mudou e eu finalmente achei o endereço e até conseguir logar nele sem problemas, veja só, então decidi voltar a escrever.
A primeira coisa a dizer é que eu não pretendo me limitar só a contos...apesar do nome do blog implicar exatamente isso, gostaria de variar um pouco. Alguns pensamentos aleatórios, reviews de filmes aqui e ali, ou dicas livros. Esse tipo de coisa.
A segunda coisa a dizer é que eu provavelmente também estarei postando alguns projetos pessoais mais sérios meus, como alguns capítulos do meu futuro/provável livro e algo sobre alguma coisa que eu escrevo a respeito de algum troço que ando pensando se pode virar um roteiro para qualquer coisa assim. Por aí.
Se você é um conhecido que está aqui porque eu pedi muito, obrigado. Se você é um desconhecido que achou isso aqui por um acaso muito estranho, fique o quanto quiser (que não vai ser muito porque não tem muito o que ler aqui ainda) e pode deixar a porta aberta quando sair.

Paz!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

7 (Conto)


            A garotinha arrumava os cabelos loiros tomando cuidado de lhes deixar perfeitos ao seu gosto. Fios claros e reluzentes, bem alinhados e penteados não passando de seus ombros e terminando num ângulo horizontal perfeito, assim como a franja que quase chegava aos seus olhos. Após isso, dava uma nova espiada no livro ao seu lado pondo as luvas de látex e tirando uma afiada faca de dentro de sua mochila rosa. Não tinha achado substituto melhor para o bisturi.
            Anna Lybatho tinha 12 anos, era uma linda menininha e desde que aprendera a ler teve fascínio por anatomia. Um interesse muito estranho para sua pouca idade, era verdade, mas Anna jamais foi o que se pode chamar de normal. Sempre exata em suas ações, sempre certa ao que queria e profundamente dedicada ao maior nível de perfeição em tudo que fazia, somente limitada pela idade que tinha. A verdade é que a jovem Anna jamais aparentou ter a idade que tinha. Sempre cuidando de sua aparência a um nível militar, nunca realizando gestos muito bruscos. Dona de uma frieza de nunca falar demais e um olhar penetrante gélido em par com seus olhos já azuis, era quase impossível de dizer que Anna Lybatho tinha 12.
            Para Anna, mesmo em sua mente infantil, o mundo era algo errado, fora de ordem, desigual. Começou como algo simples ao qual o olhar se detinha as vezes – uma marca na pele, uma cicatriz...Depois passou a incomodar pouco, como um cisco no olho – um detalhe diferente em uma das maçãs do rosto, dedos a mais em uma das mãos...E logo se tornara uma dor excruciante que lhe atacava mente como facas quentes fincadas lentamente em seu cérebro – acessórios, tiques nervosos, modo de pentear o cabelo...A falta de ordem no mundo era a grande maldição de Anna Lybatho, a infeliz mania das pessoas de desrespeitarem a ordem de tudo, burlarem a igualdade das coisas, quebrarem a simetria que, por padrões simples, definia a premissa básica da beleza. Todos eram abominações errôneas, impuros, dementes. Essa era a lógica bizarra que regia as ações de Anna
            Pessoas ou animais, Anna via tudo num padrão, um padrão que tudo e todos estavam dispostos a quebrar –fazer da ordem o caos– isso era algo horrível. Mas assim como os outros podiam quebrar a ordem, ela podia restaura-la. Anna descobrira a pouco tempo que ela mesma poderia tentar concertar as coisas a sua volta, porque não? As pessoas não sabiam como eram monstruosas com suas diferenças, em suas tentativas de individualidade quebrando a ordem natural da natureza. Ela podia mudar isso, e isso era maravilhoso.
            Aproximava a lâmina da barriga inchada e macia do animal. A gata scottish fold da família guinchava a esperneava amarrado com as quatro patas esticadas de modo a deixa-la de barriga para cima. Anna espiava o livro de medicina animal mais uma vez e sorria, órgãos e mais órgãos preenchiam o interior daquela barriga inchada de gravidez do animal, mas apenas uma coisa lhe interessava, a vida gerada ali dentro.
            A lâmina penetrava na carne fazendo líquido vermelho brotar, Anna traçava uma linha horizontal dividindo bem ao meio cortando e cortando em meio a guinchos de choros animalescos de pura dor e desespero. Na verdade era até engraçado, pensava a garotinha enquanto sangue fazia-se farto ali, sendo ratos, gatos, pássaros ou cachorros, não importava, a aura de medo e dor que sentiam era a mesma. Engraçado como todos são iguais perante a morte. Por fim o rastro vermelho terminara, a barriga do animai abria-se como uma caixa junto com tudo mais na frente. Sete minúsculos fetos felinos (não eram nada diferentes dos de cães ela notara) postavam-se encolhidos e unidos no interior viscoso do animal, Sete.
– Pena...muito mesmo.
            A garotinha se lamentava perante o padrão desigual e impreciso que a própria natureza submetia os seres vivos tirando os fetos um por um e atirando-os todos dentro de uma antiquada fornalha que ali estava junto com a gata já quase morta.

Essa é a primeira coisa que eu posto aqui.

Não é um conto, eu sei, mas são palavras de olá. Durante muito tempo eu escrevi coisas e mais coisas em diferentes gerações de cadernos que possui e nunca as mostrei para ninguém, se os fiz, foram para poucos coitados que leram minhas palavras e deram opiniões sobre. Algumas delas duvidosas na verdade.
Sempre gostei de leitura. Gosto de ler desde que aprendi a ler e gosto de escrever desde que percebi que era melhor nisso que no desenho.


De qualquer forma eu criei esse blog na intenção de ter um local para onde enviar o que eu escrevo e receber críticas (construtivas, espero) disso. Não é o primeiro melhor post de todos, de fato, mas é algo com que começar.